Entre Orelhas e Silêncios: O que os cavalos nos ensinam
- Elayne A. Massaini
- 3 de mar.
- 6 min de leitura
Histórias, ciência e conexão entre mulheres e cavalos.
O cavalo fala o tempo todo.
Mas não com palavras.
Ele fala nas orelhas que se movem antes do corpo.
No silêncio atento antes da fuga.
No suspiro quando confia.


Eu não nasci em meio equestre, nem em sítios ou fazendas como eu adoraria. Mas sempre tive muita ligação com esses seres tão majestosos.
Meu pai adorava cavalos e me levava a alguns passeios quando eu era criança. Mais tarde fiz alguns anos de aulas de equitação em São Paulo. E depois veio o trabalho como fotógrafa de cavalos. Eu amava os cavalos e a fotografia e me inscrevi em um curso de fotografia de cavalos. Foi amor ao primeiro clique.
Já fotografo cavalos há mais de 20 anos, mas faz pouco tempo, foi depois que o Dante, um cavalo lusitano, entrou na minha vida, é que comecei a estudar e buscar mais informações sobre o comportamento e comunicação com os cavalos.

Baseando-me em minhas pesquisas e estudos, vou compartilhar aqui algumas informações que acho muito importantes para quem quer saber um pouco sobre os cavalos.
Eu amo cavalos é uma frase comum de se ouvir.
Cavalos são animais muito bonitos e imponentes, geralmente estão ligados à representação de força, liberdade, movimento, beleza.

Já vi pessoas que não gostam de cães, outras que não gostam de gatos, mas nunca vi alguém dizer que não gosta de cavalo. Pode não ter tanto atração quanto nós, ou ter medo, devido a seu tamanho, em média 500 kg! Mas dizer “eu não gosto de cavalos”, eu nunca ouvi. E as mulheres aparecem como maioria quando é assunto é cavalo.
Quem são os cavalos
Foram domesticados há mais de 4 mil anos A.C. O 1º ancestral equino de que se tem notícia viveu há 55 milhões de anos.
Na natureza, há milhões de anos, eles vivem em manadas, são animais gregários, vivem em grupos. Geralmente, o líder da manada é uma égua mais velha, mas pode mudar de acordo com as circunstâncias. Não se baseia em quem é o maior forte, mas na confiança, o mais apto naquele momento.
Na natureza, o cavalo anda e come cerca de 18 horas por dia. Herbívoro, não ruminante e com estômago relativamente pequeno, come porções reduzidas, porém durante todo o dia, se movimenta constantemente. Por isso, ficar em cocheiras é contra sua natureza. Um cavalo livre em piquetes, próximos a outros cavalos, mesmo que separados por cercas, têm mais saúde e bem -estar.

O homem descobriu o cavalo como excelente animal de transporte de cargas e pessoas, auxiliou muito em guerras e descobertas de novas terras. É usado em diversão, esportes, lazer, enfim ajudou muito no desenvolvimento das civilizações.
Hoje vemos crescer o convívio com o cavalo de maneiras menos abusivas: montarias sem embocaduras, terapias assistidas com cavalos e muitos novos estudos sobre o seu bem-estar.

O que eles realmente precisam:
- comida (pasto)
- água
- manada
- liberdade
Aquele cavalo não é teimoso ou assustado. Ele está tentando sobreviver. São presas.
Para mim, a informação mais importante que tive sobre os cavalos, e que demorei anos para saber, é que eles são PRESAS! Ou seja, não caçam, mas sim, são caçados. Por isso estão sempre atentos. Em constante leitura do ambiente. Não possuem garras nem chifres, por isso o instinto é de fuga.
- Audição em escala de frequência bem maior que a nossa. Orelhas se movem para direções variadas. Orelhas para frente significam que estão atentos, elas se direcionam conforme o local de onde vem o som. Orelhas para os lados, estão relaxados e orelhas bem para trás é sinal de que algo está errado, podem estar bravos, com dor, apreensivos, ou seja, cuidado, não fique perto.
- Olfato bem sensível e apurado. Sente o cheiro de inimigos a 2 km de distância.
- Visão de quase 360 graus, com visão independente em cada olho. Tem dois pontos cegos, um na frente do focinho e outro na região da cauda.
- Paladar apurado. Gosta do sabor doce, cenoura, frutas.
- Percepção cutânea – pele extremamente sensível. Sente uma mosca pousando. Parece forte por suportar a dor, mas na realidade, tem o instinto de não manifestá-la.
Imagine a dor de uma chicotada!

Voltando ao assunto do cavalo ser uma presa
Ele precisa usar todos os sentidos para estar alerta a possíveis predadores. E é por isso que é comum vermos o cavalo se assustar com uma cadeira no picadeiro, um balde, uma mangueira no caminho, um galho que cai, uma galinha que passa, enfim, qualquer coisa que apareça pode em primeira instância ser uma ameaça à vida dele.
Diferente de nós que conseguimos diante de um imprevisto ter um breve pensamento antes de agir, eles não, primeiro fogem para depois “pensar” se aquilo poderia ou não ser um perigo.
Então, normalmente, um cavalo não ataca uma pessoa, mas pode machucar diante de um imprevisto do qual ele queira se defender. Eles pesam muito, portanto, é necessário sermos cuidadosos. Quando um cavalo é bravo, é praticamente certo que já sofreu maus tratos.
O coração como órgão regulador emocional
Cavalos são animais altamente co-reguladores. Isso significa que eles respondem ao estado emocional de quem está perto.
Estudos em etologia e comportamento equino mostram que cavalos:
· Percebem alterações na respiração humana
· Reagem à tensão muscular
· Detectam mudanças sutis na postura
· Respondem à coerência ou incoerência emocional
Quando uma pessoa desacelera a respiração e regula o próprio corpo, o cavalo frequentemente acompanha essa regulação. É como se o sistema nervoso deles conversasse com o nosso.
O coração de um cavalo pode pesar mais de quatro quilos. É forte, resistente, feito para sustentar movimento, fuga e liberdade.

Mas talvez o que mais impressione não seja o tamanho. É a sensibilidade. Por serem animais presa, para sobreviver, desenvolveram uma capacidade extraordinária de perceber o ambiente. Eles leem respiração, postura, tensão muscular. Sentem quando estamos ansiosos, quando estamos distraídos — e principalmente quando estamos presentes.
O coração humano também gera um campo elétrico e influencia nosso estado interno. No cavalo, esse campo é ainda maior simplesmente pela dimensão física do órgão. Embora a ciência ainda investigue como essas interações acontecem, na prática de quem convive com cavalos algo é evidente:
Quando desaceleramos, eles desaceleram. Quando respiramos fundo, eles suspiram. Quando encontramos calma, eles se aproximam.
Não é místico. É regulação.
O cavalo não responde ao personagem que criamos para o mundo. Ele responde ao que é verdadeiro. Talvez por isso tantas pessoas sintam uma paz profunda ao encostar em um cavalo. Como se, por alguns segundos, o barulho interno diminuísse.
E quando dois corações encontram o mesmo ritmo, o instante se torna inesquecível.

Orientações práticas ao se aproximar de um cavalo
Ao invés de chegar fazendo um carinho no cavalo, primeiro deixe que ele chegue até você, que ele tenha a curiosidade de te conhecer.
Atenção aos sinais que le dá, alguns deles são:
orelhas muito para trás, recue.
cauda balançando lateralmente, tudo certo, abanando verticalmente não é bom sinal
umas das patas traseiras levemente desapoiada, está relaxado
abaixou a cabeça: relaxou
lambeu os lábios: relaxou
está mais de 5 segs sem piscar, cuidado, está nervoso
sobre o risco de levar um coice, acho que é o item mais conhecido, mas é bom lembrar, não fique atrás do cavalo.
Memória e inteligência
Eles lembram pessoas por anos
Associam experiências positivas e negativas
Aprendem por repetição e associação
Um cavalo pode guardar uma experiência ruim por muito tempo — por isso o manejo gentil muda tudo. Manejos errados e maus-tratos podem gerar traumas muitas vezes bem difíceis de serem reparados.
O tempo do cavalo é diferente
Eles vivem o agora
Respondem ao presente
Não funcionam bem sob pressão
Mulheres e Cavalos: Quando a Força Encontra a Presença
Existe algo profundamente transformador no encontro entre uma mulher e um cavalo.
O cavalo é potência. É instinto. É presença absoluta.Ele percebe tensão antes da palavra, emoção antes da explicação. Ele reage ao que é real.

E talvez seja por isso que tantas mulheres se sintam tão bem perto deles.
No cotidiano, a mulher sustenta papéis, expectativas, responsabilidades.Diante do cavalo, tudo isso cai. O cavalo não exige performance.Ele pede verdade.
Quando a mulher desacelera, respira e se permite estar inteira — o cavalo responde. Aproxima-se. Confia. Espelha.E nesse instante nasce algo que não pode ser forçado: conexão. Não é sobre montar. Não é sobre técnica. É sobre presença.
E quando esse encontro acontece, ele merece ser vivido… e também lembrado.
Porque há momentos em que a força se encontra com a delicadeza,e a imagem capturada não é apenas estética —é o registro de um estado de alma.

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